Yersinia enterocolitica
Bacilos Gram-negativos, coco-bacilares
Identificação e Crescimento
Identificação
- Urease positiva, oxidase negativa, móvel a 25 °C e imóvel a 37 °C
- Ágar CIN: colônias em olho de touro (centro vermelho)
Como cresce
- Cresce bem a 25–28 °C; CIN por 48 h em coprocultura dirigida
Importância Clínica
- Enterite, adenite mesentérica simulando apendicite, bacteremia pós-transfusional
Resistência Intrínseca
- Betalactamases A e B: ampicilina, amoxicilina-clavulanato e cefalosporinas de 1ª geração não devem ser reportadas
Alertas de Bancada
- Só é isolada se o meio CIN e a incubação a 25 °C forem solicitados
- Perguntar sobre consumo de carne suína e transfusão recente
Notas Clínicas
Apresentações clínicas
- Enterocolite aguda com diarreia, dor abdominal e febre, podendo mimetizar apendicite aguda (pseudoapendicite) devido a linfadenite mesentérica.
- Manifestações pós-infecciosas incluem artrite reativa e eritema nodoso, especialmente em indivíduos HLA-B27 positivos.
- Bacteriemia e sepse podem ocorrer em pacientes com sobrecarga de ferro (hemocromatose, talassemia) devido à dependência de ferro do organismo.
- Infecção transmitida por transfusão de hemocomponentes contaminados é uma complicação rara, porém grave.
Amostras e coleta
- Coprocultura requer meios seletivos como CIN (cefsulodina-irgasan-novobiocina) e incubação prolongada, muitas vezes com enriquecimento a frio.
- Painéis moleculares de PCR multiplex para patógenos entéricos aumentam a sensibilidade e reduzem o tempo de detecção comparado à cultura.
- Hemoculturas devem ser solicitadas em pacientes com fatores de risco para sobrecarga de ferro e sinais de sepse.
Epidemiologia e populações de risco
- Transmitido principalmente pela ingestão de carne suína crua ou malcozida e leite não pasteurizado.
- Crianças pequenas são as mais afetadas por enterocolite sintomática, enquanto adultos mais frequentemente desenvolvem sequelas reativas.
- Refrigeração prolongada de alimentos não elimina o risco, pois a bactéria pode crescer em temperaturas de refrigerador (psicrotolerante).
Resistência e implicações terapêuticas
- Produz betalactamases cromossômicas que conferem resistência intrínseca a ampicilina e cefalosporinas de primeira geração.
- Enterocolite não complicada geralmente é autolimitada e não requer antibioticoterapia na maioria dos casos.
- Casos de bacteriemia ou infecção grave são tratados com fluoroquinolonas, trimetoprima-sulfametoxazol ou cefalosporinas de terceira geração conforme suscetibilidade.
Notas de bancada e laudo
- Cocobacilo Gram-negativo, oxidase-negativo, com motilidade típica a 22-25°C e ausência de motilidade a 37°C.
- Crescimento lento em meios de rotina pode ser facilitado por enriquecimento a frio (4°C) por várias semanas quando há forte suspeita clínica.
- Sorotipagem e biotipagem podem ser realizadas em laboratórios de referência para investigação epidemiológica de surtos.
Fontes
Conteúdo educacional de apoio à decisão. Não substitui a validação laboratorial, as diretrizes vigentes nem a leitura do responsável técnico.
FAQ: Perguntas Frequentes
Como identificar Yersinia enterocolitica no laboratório?
A identificação de Yersinia enterocolitica envolve urease positiva, oxidase negativa, móvel a 25 °c e imóvel a 37 °c, ágar cin: colônias em olho de touro (centro vermelho).
Quais as resistências intrínsecas de Yersinia enterocolitica?
Yersinia enterocolitica é naturalmente resistente a betalactamases a e b: ampicilina, amoxicilina-clavulanato e cefalosporinas de 1ª geração não devem ser reportadas. Esses antimicrobianos não devem ser reportados como sensíveis.
Onde Yersinia enterocolitica é comumente encontrado?
É comumente associado a enterite, adenite mesentérica simulando apendicite, bacteremia pós-transfusional.
Quer o Kit de Bancada gratuito?
Cadastre seu e-mail para receber o PDF: ágares, Gram, Rugai, diluições e checklist de antibiograma.