Voltar para o bancoVibriões e curvos
Vibrio parahaemolyticus
Bacilos Gram-negativos curvos
Identificação e Crescimento
Identificação
- Oxidase positiva, halofílico (exige NaCl), sacarose negativa
- TCBS: colônias verdes; fenômeno de Kanagawa em ágar Wagatsuma
Como cresce
- Meios com 1–3% NaCl, 35–37 °C, 18–24 h
Importância Clínica
- Gastroenterite após frutos do mar crus ou malcozidos; infecção de ferida em água salgada
Resistência Intrínseca
- Ampicilina com atividade reduzida na maioria dos isolados
Alertas de Bancada
- Não cresce bem em meios sem sal — a coprocultura habitual pode dar 'negativa'
Notas Clínicas
Apresentações clínicas
- Gastroenterite aguda autolimitada com diarreia aquosa, cólicas e náuseas, geralmente 12–24 h após ingestão de frutos do mar crus ou malcozidos.
- Infecção de ferida e celulite após exposição de lesão de pele a água do mar ou a manuseio de frutos do mar, podendo evoluir com fasciíte em imunocomprometidos.
- Bacteremia primária rara, associada a hepatopatia crônica e outras condições imunossupressoras.
Amostras e coleta
- Coprocultura em meio seletivo TCBS (tiossulfato-citrato-bile-sacarose), no qual formam colônias verdes por não fermentarem sacarose.
- Swab e material de ferida em caso de infecção de partes moles associada a água do mar; identificar o histórico de exposição na requisição.
- Hemocultura quando há sinais sistêmicos ou hepatopatia de base, priorizando coleta antes do início do antimicrobiano.
Epidemiologia e populações de risco
- Principal causa bacteriana de gastroenterite associada a frutos do mar em várias regiões costeiras, com sazonalidade nos meses mais quentes.
- Halofílico de água salobra e marinha; risco relacionado a ostras cruas, camarão e outros frutos do mar mal processados.
- Cepas produtoras de hemolisina termoestável direta (TDH) e TDH-relacionada (TRH) estão associadas a maior virulência gastrointestinal.
Resistência e implicações terapêuticas
- A gastroenterite é autolimitada e manejada com reidratação; antimicrobianos são reservados a casos graves, prolongados ou em imunocomprometidos.
- EUCAST/BrCAST não publicam pontos de corte específicos para Vibrio spp.; quando indicado, orientar terapia por CIM e discutir com a infectologia.
- Doxiciclina ou fluoroquinolona são opções habituais para infecção de ferida ou bacteremia, combinadas a desbridamento cirúrgico quando necessário.
Notas de bancada e laudo
- Bacilo Gram-negativo curvo, oxidase positivo, halofílico: exige NaCl adicional no meio para crescimento ideal.
- Diferenciar de V. cholerae e V. vulnificus por testes bioquímicos ou MALDI-TOF, pois o manejo e a notificação diferem.
- Casos de gastroenterite associada a frutos do mar podem exigir notificação à vigilância sanitária local para investigação de surto.
Fontes
- EUCAST — Clinical breakpoints (v16.1)
- UKHSA — Standards for Microbiology Investigations (SMI)
- CDC — Clinical guidance
Conteúdo educacional de apoio à decisão. Não substitui a validação laboratorial, as diretrizes vigentes nem a leitura do responsável técnico.
FAQ: Perguntas Frequentes
Como identificar Vibrio parahaemolyticus no laboratório?
A identificação de Vibrio parahaemolyticus envolve oxidase positiva, halofílico (exige nacl), sacarose negativa, tcbs: colônias verdes; fenômeno de kanagawa em ágar wagatsuma.
Quais as resistências intrínsecas de Vibrio parahaemolyticus?
Vibrio parahaemolyticus é naturalmente resistente a ampicilina com atividade reduzida na maioria dos isolados. Esses antimicrobianos não devem ser reportados como sensíveis.
Onde Vibrio parahaemolyticus é comumente encontrado?
É comumente associado a gastroenterite após frutos do mar crus ou malcozidos; infecção de ferida em água salgada.
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