Voltar para o bancoVibriões e curvos
Vibrio cholerae
Bacilos Gram-negativos curvos, em vírgula
Identificação e Crescimento
Identificação
- Oxidase positiva, motilidade em dardo, crescimento sem NaCl adicional
- TCBS: colônias amarelas (sacarose positiva); sorogrupos O1 e O139
Como cresce
- Água peptonada alcalina (pH 8,6) por 6–8 h e repique em TCBS
Importância Clínica
- Cólera: diarreia aquosa em água de arroz, desidratação rápida; notificação imediata
Resistência Intrínseca
- Polimixinas variam por sorogrupo; não usar como triagem terapêutica
Alertas de Bancada
- Suspeita clínica precisa ser informada: TCBS não é semeado de rotina em coprocultura
- Notificação compulsória imediata e envio da cepa ao laboratório de referência
Notas Clínicas
Apresentações clínicas
- Cólera: diarreia aquosa profusa em água de arroz, sem febre, com desidratação grave em poucas horas.
- Vômitos, cãibras musculares, acidose metabólica e insuficiência renal por hipovolemia.
- Cepas não-O1/não-O139 causam gastroenterite mais branda, infecção de ferida e bacteremia em hepatopatas.
Amostras e coleta
- Fezes in natura ou swab retal em meio Cary-Blair; coletar antes do antimicrobiano.
- Semear em ágar TCBS: V. cholerae produz colônias amarelas por fermentação da sacarose.
- Água peptonada alcalina como caldo de enriquecimento aumenta a recuperação em amostras paucibacilares.
Epidemiologia e populações de risco
- Transmissão fecal-oral por água e alimentos contaminados, ligada a saneamento precário e a emergências humanitárias.
- Os sorogrupos O1 e O139 produtores da toxina colérica são os responsáveis por epidemias.
- Doença de notificação compulsória internacional: comunicar imediatamente a vigilância epidemiológica.
Resistência e implicações terapêuticas
- A reidratação oral ou venosa é o tratamento que salva vidas; o antimicrobiano apenas encurta a doença e a excreção.
- Doxiciclina em dose única é a opção de referência em adultos, com azitromicina como alternativa em gestantes e crianças.
- Resistência a sulfametoxazol-trimetoprima e a fluoroquinolonas é crescente em cepas epidêmicas: monitorar o perfil local.
Notas de bancada e laudo
- Bacilo Gram-negativo curvo, oxidase positivo, com motilidade em dardo visível a fresco.
- Confirmar sorogrupo O1/O139 por aglutinação em lâmina e encaminhar o isolado ao laboratório de referência.
- Resultado de comunicação imediata: informar clínico e vigilância antes mesmo da liberação formal do laudo.
Fontes
- WHO — Cholera (fact sheet)
- CDC — Cholera (Vibrio cholerae infection)
- EUCAST — Clinical breakpoints (v16.1)
Conteúdo educacional de apoio à decisão. Não substitui a validação laboratorial, as diretrizes vigentes nem a leitura do responsável técnico.
FAQ: Perguntas Frequentes
Como identificar Vibrio cholerae no laboratório?
A identificação de Vibrio cholerae envolve oxidase positiva, motilidade em dardo, crescimento sem nacl adicional, tcbs: colônias amarelas (sacarose positiva); sorogrupos o1 e o139.
Quais as resistências intrínsecas de Vibrio cholerae?
Vibrio cholerae é naturalmente resistente a polimixinas variam por sorogrupo; não usar como triagem terapêutica. Esses antimicrobianos não devem ser reportados como sensíveis.
Onde Vibrio cholerae é comumente encontrado?
É comumente associado a cólera: diarreia aquosa em água de arroz, desidratação rápida; notificação imediata.
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