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Cocos Gram-positivos

Staphylococcus aureus

Cocos Gram-positivos em cachos

Identificação e Crescimento

Identificação

  • Catalase positiva, coagulase positiva (tubo ou látex)
  • DNase positiva, fermenta manitol no ágar manitol salgado
  • Sensibilidade a novobiocina preservada

Como cresce

  • Ágar sangue: colônias amarelo-douradas, 1–3 mm, beta-hemólise
  • Ágar manitol salgado (7,5% NaCl): colônias amarelas com viragem do meio
  • 35–37 °C, aerobiose, 18–24 h

Importância Clínica

  • Infecção de pele e partes moles, abscessos, furunculose (ambulatorial)
  • Bacteremia relacionada a cateter, endocardite, osteomielite, pneumonia

Resistência Intrínseca

  • Aztreonam, colistina e ácido nalidíxico não têm atividade sobre Gram-positivos (EUCAST Expected Resistant Phenotypes v1.2)
  • Temocilina e as polimixinas não devem ser reportadas

Alertas de Bancada

  • Cefoxitina é o marcador de MRSA: se resistente, reportar resistência a todos os beta-lactâmicos (exceto ceftarolina)
  • Eritromicina R + clindamicina S exige D-test para resistência induzível (MLSb)
  • Resultado de vancomicina por disco não é válido — usar CIM

Notas Clínicas

Apresentações clínicas

  • Causa infecções de pele e partes moles (furúnculos, celulite, abscessos), muitas vezes associadas a comunidade (CA-MRSA).
  • É a principal causa de bacteremia associada a dispositivos intravasculares e de endocardite aguda em usuários de drogas injetáveis.
  • Provoca pneumonia necrosante grave, por vezes pós-influenza, e osteomielite/artrite séptica hematogênica.
  • Produz síndromes toxigênicas como choque tóxico estafilocócico e síndrome da pele escaldada por toxinas esfoliativas.

Amostras e coleta

  • Hemoculturas pareadas (aeróbio/anaeróbio) antes do início do antimicrobiano são essenciais para confirmar bacteremia e guiar duração de terapia.
  • Swabs de lesões cutâneas devem ser coletados da base do abscesso ou do material purulento drenado, evitando contaminação de superfície.
  • Swab nasal (narinas anteriores) é usado para triagem de colonização por MRSA em protocolos de vigilância hospitalar.
  • Líquido sinovial e fragmentos ósseos devem ser enviados imediatamente sem meio de transporte com conservantes que possam inibir o crescimento.

Epidemiologia e populações de risco

  • Cerca de 30% da população geral é colonizada de forma assintomática nas narinas anteriores.
  • Usuários de drogas injetáveis, pacientes em hemodiálise e portadores de cateteres venosos centrais têm risco aumentado de bacteremia.
  • CA-MRSA (frequentemente portador do gene PVL) acomete adultos jovens saudáveis e atletas em contato próximo.
  • Surtos hospitalares de MRSA estão ligados a falhas de higiene das mãos e colonização não detectada de profissionais de saúde.

Resistência e implicações terapêuticas

  • A resistência à meticilina (MRSA), mediada pelo gene mecA/mecC (PBP2a), confere resistência de classe a todos os beta-lactâmicos exceto ceftarolina/ceftobiprole.
  • Cepas com resistência induzível à clindamicina (fenótipo MLSb) devem ser detectadas pelo teste de disco-aproximação (D-test) antes de liberar clindamicina como sensível.
  • Isolados com resistência à vancomicina (VISA/VRSA) são raros mas exigem confirmação e notificação, pois alteram radicalmente a escolha terapêutica.
  • EUCAST recomenda testar a sensibilidade à oxacilina/cefoxitina como marcador de triagem para resistência à meticilina.

Notas de bancada e laudo

  • Colônias douradas, beta-hemolíticas em ágar-sangue, catalase-positivas e coagulase-positivas (tubo ou látex) confirmam a espécie.
  • O teste de cefoxitina em disco é o método preferido para detectar resistência mediada por mecA em rotina.
  • Isolados de sangue devem ter identificação e antibiograma reportados com prioridade devido ao impacto na mortalidade por bacteremia.

Fontes

Conteúdo educacional de apoio à decisão. Não substitui a validação laboratorial, as diretrizes vigentes nem a leitura do responsável técnico.

FAQ: Perguntas Frequentes

Como identificar Staphylococcus aureus no laboratório?

A identificação de Staphylococcus aureus envolve catalase positiva, coagulase positiva (tubo ou látex), dnase positiva, fermenta manitol no ágar manitol salgado, sensibilidade a novobiocina preservada.

Quais as resistências intrínsecas de Staphylococcus aureus?

Staphylococcus aureus é naturalmente resistente a aztreonam, colistina e ácido nalidíxico não têm atividade sobre gram-positivos (eucast expected resistant phenotypes v1.2), temocilina e as polimixinas não devem ser reportadas. Esses antimicrobianos não devem ser reportados como sensíveis.

Onde Staphylococcus aureus é comumente encontrado?

É comumente associado a infecção de pele e partes moles, abscessos, furunculose (ambulatorial), bacteremia relacionada a cateter, endocardite, osteomielite, pneumonia.

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