Salmonella Typhi / Paratyphi
Bacilos Gram-negativos móveis
Identificação e Crescimento
Identificação
- S. Typhi: H₂S fraco em TSI, citrato negativo, ornitina negativa, gás ausente
- Confirmação por soroaglutinação (antígenos O9, Hd e Vi)
Como cresce
- Hemocultura e mielocultura na 1ª semana; coprocultura a partir da 2ª–3ª semana
Importância Clínica
- Febre tifoide e paratifoide — doença de notificação compulsória no Brasil
Resistência Intrínseca
- Não reportar aminoglicosídeos, cefalosporinas de 1ª e 2ª geração e cefamicinas: ineficazes in vivo apesar de sensíveis in vitro
Alertas de Bancada
- Triagem de baixa sensibilidade a fluoroquinolonas pelo disco de pefloxacino, conforme EUCAST/BrCAST
- Notificação imediata à vigilância epidemiológica
Notas Clínicas
Apresentações clínicas
- Causa febre entérica (febre tifoide/paratifoide) com febre prolongada, dor abdominal, hepatoesplenomegalia e possível perfuração intestinal.
- Pode evoluir com bacteriemia sustentada e estado de portador crônico assintomático na vesícula biliar.
- Complicações graves incluem hemorragia gastrointestinal, encefalopatia e miocardite.
Amostras e coleta
- Hemocultura é a amostra de maior rendimento na primeira semana de doença, antes do início de antibioticoterapia.
- Coprocultura e mielocultura (aspirado de medula óssea) aumentam a sensibilidade diagnóstica, especialmente após uso prévio de antimicrobianos.
- Testes sorológicos (Widal) têm baixa especificidade e não devem substituir a cultura para confirmação diagnóstica.
Epidemiologia e populações de risco
- Transmissão fecal-oral por água e alimentos contaminados, endêmica em regiões com saneamento precário.
- Viajantes para áreas endêmicas (sul da Ásia, África subsaariana) constituem população de risco relevante em países não endêmicos.
- É doença de notificação compulsória em muitos países, incluindo o Brasil, exigindo comunicação imediata à vigilância epidemiológica.
Resistência e implicações terapêuticas
- Resistência a fluoroquinolonas e cepas multirresistentes (MDR) são amplamente descritas em regiões endêmicas, incluindo cepas extensivamente resistentes (XDR) no sul da Ásia.
- Cefalosporinas de terceira geração e azitromicina são opções terapêuticas em cepas resistentes a fluoroquinolonas.
- Teste de sensibilidade individual é obrigatório dado o padrão de resistência regional variável e crescente.
Notas de bancada e laudo
- Isolamento requer confirmação sorológica com antissoros específicos para os antígenos O, H e Vi.
- Notificação compulsória imediata às autoridades de saúde pública é obrigatória após confirmação laboratorial.
- Diferenciar Salmonella Typhi/Paratyphi de sorotipos não tifoides no laudo, pois implicações clínicas e de saúde pública diferem substancialmente.
Fontes
Conteúdo educacional de apoio à decisão. Não substitui a validação laboratorial, as diretrizes vigentes nem a leitura do responsável técnico.
FAQ: Perguntas Frequentes
Como identificar Salmonella Typhi / Paratyphi no laboratório?
A identificação de Salmonella Typhi / Paratyphi envolve s. typhi: h₂s fraco em tsi, citrato negativo, ornitina negativa, gás ausente, confirmação por soroaglutinação (antígenos o9, hd e vi).
Quais as resistências intrínsecas de Salmonella Typhi / Paratyphi?
Salmonella Typhi / Paratyphi é naturalmente resistente a não reportar aminoglicosídeos, cefalosporinas de 1ª e 2ª geração e cefamicinas: ineficazes in vivo apesar de sensíveis in vitro. Esses antimicrobianos não devem ser reportados como sensíveis.
Onde Salmonella Typhi / Paratyphi é comumente encontrado?
É comumente associado a febre tifoide e paratifoide — doença de notificação compulsória no brasil.
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