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Fastidiosos

Pasteurella multocida

Cocobacilos Gram-negativos com coloração bipolar

Identificação e Crescimento

Identificação

  • Oxidase positiva, catalase positiva, indol positivo, imóvel
  • Não cresce em MacConkey — dado decisivo na bancada

Como cresce

  • Ágar sangue e chocolate, 35–37 °C, 24 h, odor adocicado

Importância Clínica

  • Celulite de evolução rápida após mordedura ou arranhadura de cão e gato
  • Artrite séptica, tenossinovite e, em DPOC, infecção respiratória

Resistência Intrínseca

  • Resistência intrínseca a clindamicina, vancomicina e aminoglicosídeos (baixa atividade in vivo)

Alertas de Bancada

  • Amoxicilina-clavulanato é a escolha; cefalexina e clindamicina falham
  • Sempre perguntar por contato com animais quando o Gram sugerir o agente

Notas Clínicas

Apresentações clínicas

  • Celulite de rápida progressão e infecção de partes moles após mordedura ou arranhadura de cão ou gato, com dor e sinais inflamatórios já nas primeiras 24 h.
  • Artrite séptica e osteomielite por inoculação direta em mordeduras próximas a articulações, especialmente em mãos.
  • Infecções respiratórias (sinusite, exacerbação de DPOC, pneumonia) e, raramente, bacteremia e meningite em pacientes com exposição a animais domésticos.

Amostras e coleta

  • Cultura de secreção da ferida e, se possível, de material profundo por aspiração, evitando swab superficial que subestima a infecção.
  • Hemocultura em pacientes com sinais sistêmicos ou imunossupressão, sobretudo hepatopatas e esplenectomizados após exposição animal.
  • Registrar na requisição a história de mordedura/arranhadura e o animal envolvido, pois orienta a suspeita e a interpretação do isolado.

Epidemiologia e populações de risco

  • Coloniza a orofaringe de cães e, sobretudo, de gatos; a maioria das infecções humanas segue mordedura, arranhadura ou lambedura de ferida.
  • Mordeduras de gato têm maior risco de infecção do que as de cão, devido à profundidade da inoculação por dentes finos e afiados.
  • Doença sistêmica grave (bacteremia, peritonite) é mais frequente em cirróticos, esplenectomizados e outros imunocomprometidos.

Resistência e implicações terapêuticas

  • Amoxicilina-clavulanato é o tratamento de escolha para mordeduras de cão e gato, cobrindo também flora polimicrobiana da cavidade oral do animal.
  • Resistência intrínseca a clindamicina e a cefalexina isolada, o que as torna inadequadas como monoterapia empírica de mordedura animal.
  • EUCAST publica pontos de corte para Pasteurella multocida; confirmar suscetibilidade a beta-lactâmicos e a doxiciclina em caso de alergia a penicilina.

Notas de bancada e laudo

  • Cocobacilo Gram-negativo, oxidase e catalase positivos, não móvel, com odor característico e crescimento em ágar sangue sem hemólise significativa.
  • Não cresce em ágar MacConkey, achado útil para diferenciar de enterobactérias em cultura de ferida por mordedura.
  • Sinalizar no laudo a relevância da história de exposição animal, pois orienta tanto a interpretação do isolado quanto a escolha terapêutica.

Fontes

Conteúdo educacional de apoio à decisão. Não substitui a validação laboratorial, as diretrizes vigentes nem a leitura do responsável técnico.

FAQ: Perguntas Frequentes

Como identificar Pasteurella multocida no laboratório?

A identificação de Pasteurella multocida envolve oxidase positiva, catalase positiva, indol positivo, imóvel, não cresce em macconkey — dado decisivo na bancada.

Quais as resistências intrínsecas de Pasteurella multocida?

Pasteurella multocida é naturalmente resistente a resistência intrínseca a clindamicina, vancomicina e aminoglicosídeos (baixa atividade in vivo). Esses antimicrobianos não devem ser reportados como sensíveis.

Onde Pasteurella multocida é comumente encontrado?

É comumente associado a celulite de evolução rápida após mordedura ou arranhadura de cão e gato, artrite séptica, tenossinovite e, em dpoc, infecção respiratória.

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