Nocardia brasiliensis
Bacilos Gram-positivos filamentosos, ramificados e contas de rosário
Identificação e Crescimento
Identificação
- Álcool-ácido resistente parcial (Kinyoun modificado)
- Hidrólise de caseína, tirosina e xantina positiva para caseína e tirosina
Como cresce
- Colônias secas e aderentes em 3–7 dias; usar Sabouraud e BHI além do ágar sangue
Importância Clínica
- Micetoma actinomicótico e infecção cutânea/linfocutânea após trauma
Resistência Intrínseca
- Perfil por espécie; sulfametoxazol-trimetoprim é referência terapêutica
Alertas de Bancada
- EUCAST/BrCAST não definem disco-difusão: sensibilidade por microdiluição em caldo (CLSI M62)
- Avisar o laboratório para prolongar a incubação quando houver suspeita clínica
Notas Clínicas
Apresentações clínicas
- Principal agente de micetoma actinomicótico cutâneo em regiões tropicais, com formação de nódulos, fístulas e grãos.
- Pode causar infecção cutânea linfangítica (esporotricoide) após inoculação traumática.
- Disseminação sistêmica com envolvimento pulmonar ou de sistema nervoso central é mais rara do que em outras espécies de Nocardia.
Amostras e coleta
- Grãos de secreção purulenta do micetoma devem ser coletados e examinados macro e microscopicamente.
- Biópsia de tecido profundo é preferível a swab superficial para aumentar o rendimento da cultura.
- Cultura deve ser mantida por período prolongado (até 2–4 semanas) em meios seletivos, dado o crescimento lento.
Epidemiologia e populações de risco
- Encontrada no solo e material vegetal em decomposição, especialmente em regiões tropicais e subtropicais.
- Trabalhadores rurais e agrícolas que sofrem traumas com espinhos ou lascas de madeira têm risco aumentado.
- Brasil é área endêmica reconhecida para micetoma por N. brasiliensis.
Resistência e implicações terapêuticas
- Sulfametoxazol-trimetoprima é o tratamento de primeira linha, geralmente ativo contra esta espécie.
- Tratamento prolongado por meses a anos é necessário devido à natureza crônica da infecção.
- Testagem de sensibilidade é recomendada, pois o padrão de suscetibilidade varia entre espécies de Nocardia.
Notas de bancada e laudo
- Bacilo Gram-positivo ramificado, parcialmente álcool-ácido resistente à coloração modificada de Kinyoun.
- Identificação de espécie por sequenciamento de gene 16S rRNA ou hsp65 é necessária, pois a identificação fenotípica é limitada.
- Grãos amarelo-brancos em secreção de micetoma são achado macroscópico característico a ser descrito no laudo.
Fontes
Conteúdo educacional de apoio à decisão. Não substitui a validação laboratorial, as diretrizes vigentes nem a leitura do responsável técnico.
FAQ: Perguntas Frequentes
Como identificar Nocardia brasiliensis no laboratório?
A identificação de Nocardia brasiliensis envolve álcool-ácido resistente parcial (kinyoun modificado), hidrólise de caseína, tirosina e xantina positiva para caseína e tirosina.
Quais as resistências intrínsecas de Nocardia brasiliensis?
Nocardia brasiliensis é naturalmente resistente a perfil por espécie; sulfametoxazol-trimetoprim é referência terapêutica. Esses antimicrobianos não devem ser reportados como sensíveis.
Onde Nocardia brasiliensis é comumente encontrado?
É comumente associado a micetoma actinomicótico e infecção cutânea/linfocutânea após trauma.
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