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Fastidiosos

Neisseria gonorrhoeae

Diplococos Gram-negativos intracelulares

Identificação e Crescimento

Identificação

  • Oxidase positiva, catalase positiva
  • Fermenta apenas glicose (não maltose, diferencia de meningococo)

Como cresce

  • Thayer-Martin/Martin-Lewis, 35–37 °C com 5% CO₂, 24–48 h
  • Muito sensível ao frio e à dessecação — semear imediatamente

Importância Clínica

  • Uretrite, cervicite, doença inflamatória pélvica, conjuntivite neonatal

Resistência Intrínseca

  • Vancomicina, clindamicina, linezolida, daptomicina, trimetoprima

Alertas de Bancada

  • Gram direto de secreção uretral masculina já tem alto valor diagnóstico
  • Resistência a ciprofloxacino e a penicilina é alta — tratamento empírico é ceftriaxona
  • Transporte inadequado é a principal causa de cultura negativa

Notas Clínicas

Apresentações clínicas

  • Causa uretrite, cervicite, proctite e faringite, frequentemente assintomática em mulheres e em infecções extragenitais.
  • Pode ascender causando doença inflamatória pélvica, com risco de infertilidade e gravidez ectópica.
  • Infecção gonocócica disseminada causa artrite séptica, tenossinovite e lesões cutâneas pustulosas.
  • Conjuntivite neonatal (oftalmia neonatorum) ocorre por transmissão vertical durante o parto.

Amostras e coleta

  • Testes de amplificação de ácidos nucleicos (NAAT) em amostras uretrais, endocervicais, retais ou faríngeas são o método diagnóstico de escolha atual.
  • Cultura em meio seletivo (Thayer-Martin) permanece necessária quando se requer teste de sensibilidade antimicrobiana.
  • Amostras devem ser transportadas rapidamente e mantidas aquecidas, pois o organismo é sensível ao frio e à dessecação.

Epidemiologia e populações de risco

  • É uma das infecções sexualmente transmissíveis bacterianas mais comuns globalmente, com maior incidência em adultos jovens sexualmente ativos.
  • Coinfecção com Chlamydia trachomatis é frequente, justificando testagem e tratamento combinados na prática clínica.
  • A OMS classifica N. gonorrhoeae como patógeno prioritário de alta importância pela crescente resistência antimicrobiana.

Resistência e implicações terapêuticas

  • Resistência progressiva já eliminou penicilinas, tetraciclinas, fluoroquinolonas e, mais recentemente, azitromicina como opções empíricas confiáveis em muitas regiões.
  • Ceftriaxona injetável em dose única é atualmente a base do tratamento empírico recomendado pelas diretrizes internacionais.
  • Cepas com sensibilidade reduzida a cefalosporinas de espectro estendido têm sido relatadas, motivando vigilância laboratorial contínua.

Notas de bancada e laudo

  • Diplococos gram-negativos intracelulares em polimorfonucleares na coloração de Gram de secreção uretral masculina são altamente sugestivos.
  • Teste de oxidase positivo e produção de ácido a partir de glicose (mas não maltose) diferenciam de N. meningitidis na identificação bioquímica.
  • Casos confirmados são de notificação compulsória, com necessidade de rastreamento e tratamento de parceiros sexuais.

Fontes

Conteúdo educacional de apoio à decisão. Não substitui a validação laboratorial, as diretrizes vigentes nem a leitura do responsável técnico.

FAQ: Perguntas Frequentes

Como identificar Neisseria gonorrhoeae no laboratório?

A identificação de Neisseria gonorrhoeae envolve oxidase positiva, catalase positiva, fermenta apenas glicose (não maltose, diferencia de meningococo).

Quais as resistências intrínsecas de Neisseria gonorrhoeae?

Neisseria gonorrhoeae é naturalmente resistente a vancomicina, clindamicina, linezolida, daptomicina, trimetoprima. Esses antimicrobianos não devem ser reportados como sensíveis.

Onde Neisseria gonorrhoeae é comumente encontrado?

É comumente associado a uretrite, cervicite, doença inflamatória pélvica, conjuntivite neonatal.

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