Voltar para o bancoBacilos Gram-positivos
Listeria monocytogenes
Bacilos Gram-positivos curtos, podem parecer cocobacilos
Identificação e Crescimento
Identificação
- Catalase positiva, motilidade em guarda-chuva a 25 °C, CAMP positivo
- Esculina positiva
Como cresce
- Ágar sangue: colônias pequenas com beta-hemólise estreita
- Cresce a 4 °C (enriquecimento a frio) e a 35 °C
Importância Clínica
- Meningite em idosos e imunossuprimidos, listeriose gestacional, sepse neonatal
Resistência Intrínseca
- Cefalosporinas de todas as gerações
- Fosfomicina (falso S in vitro)
Alertas de Bancada
- Não confundir com difteroide contaminante em líquor
- Tratamento é ampicilina; cefalosporina jamais deve ser reportada como opção
Notas Clínicas
Apresentações clínicas
- Causa meningite/meningoencefalite e bacteremia invasiva, predominantemente em neonatos, idosos e imunossuprimidos.
- Em gestantes, provoca doença febril leve, mas pode levar a corioamnionite, aborto espontâneo, natimorto ou sepse neonatal precoce.
- Pode causar gastroenterite febril autolimitada em surtos alimentares e rombencefalite em adultos imunocompetentes, forma rara mas grave.
Amostras e coleta
- Hemoculturas e cultura de líquor devem ser colhidas em toda suspeita de infecção invasiva antes de iniciar antibioticoterapia.
- Amostras de placenta, líquido amniótico ou mecônio devem ser cultivadas quando há suspeita de listeriose gestacional/neonatal.
- O organismo cresce em temperaturas de refrigeração, permitindo enriquecimento a frio (cold enrichment) em amostras de baixa carga bacteriana.
Epidemiologia e populações de risco
- Transmitido por alimentos contaminados, especialmente laticínios não pasteurizados, embutidos e vegetais crus mal higienizados.
- Gestantes, neonatos, idosos acima de 65 anos e imunossuprimidos (transplantados, uso de corticosteroide) constituem os grupos de maior risco.
- Surtos podem ser rastreados a produtos alimentícios específicos por meio de vigilância de saúde pública e sequenciamento genômico.
Resistência e implicações terapêuticas
- É intrinsecamente resistente a cefalosporinas, o que torna esta classe inadequada mesmo com resultado in vitro de sensibilidade.
- A ampicilina, frequentemente combinada com gentamicina para sinergismo, é o tratamento de escolha em infecção invasiva.
- Resistência adquirida é rara, mas o uso empírico de cefalosporina isolada em meningite deve ser evitado por cobertura inadequada contra Listeria.
Notas de bancada e laudo
- Bacilo Gram-positivo com mobilidade característica em "cambalhota" (tumbling motility) a 20-25°C auxilia na identificação presuntiva.
- Apresenta beta-hemólise estreita em ágar-sangue, podendo ser confundido com difteroides não patogênicos se não for observado com cuidado.
- Isolamento em sangue, líquor ou material obstétrico deve ser reportado com urgência dado o risco de deterioração clínica rápida.
Fontes
- CDC — Clinical Overview of Listeriosis
- CDC — Caring for Patients with Listeriosis
- EUCAST — Expected Phenotypes
Conteúdo educacional de apoio à decisão. Não substitui a validação laboratorial, as diretrizes vigentes nem a leitura do responsável técnico.
FAQ: Perguntas Frequentes
Como identificar Listeria monocytogenes no laboratório?
A identificação de Listeria monocytogenes envolve catalase positiva, motilidade em guarda-chuva a 25 °c, camp positivo, esculina positiva.
Quais as resistências intrínsecas de Listeria monocytogenes?
Listeria monocytogenes é naturalmente resistente a cefalosporinas de todas as gerações, fosfomicina (falso s in vitro). Esses antimicrobianos não devem ser reportados como sensíveis.
Onde Listeria monocytogenes é comumente encontrado?
É comumente associado a meningite em idosos e imunossuprimidos, listeriose gestacional, sepse neonatal.
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