Grupo HACEK (Haemophilus/Aggregatibacter, Kingella, Eikenella)
Cocobacilos Gram-negativos fastidiosos
Identificação e Crescimento
Identificação
- Crescimento lento e dependente de CO2; oxidase variável
- Eikenella corrode o ágar e tem odor de água sanitária
Como cresce
- Ágar chocolate, 35–37 °C, 5% CO2, até 5 dias — não descartar hemocultura cedo
Importância Clínica
- Endocardite subaguda de valva nativa, abscesso oral, infecção de mordedura humana
Resistência Intrínseca
- Eikenella é resistente a clindamicina e aminoglicosídeos
Alertas de Bancada
- Hemocultura de endocardite com cultura negativa exige incubação prolongada
- Ceftriaxona é a base do tratamento
Notas Clínicas
Apresentações clínicas
- Endocardite infecciosa subaguda de válvula nativa ou protética, com vegetações grandes e embolização periférica.
- Kingella kingae é causa relevante de artrite séptica e osteomielite em crianças menores de 4 anos.
- Eikenella corrodens em abscessos de cabeça e pescoço e em infecções por mordedura humana ou soco na boca.
Amostras e coleta
- Três conjuntos de hemocultura de sítios distintos antes do antimicrobiano, com volume adequado por frasco.
- Manter os frascos em incubação pelo período padrão do sistema automatizado: com os meios atuais não é necessária incubação prolongada de rotina.
- Em artrite pediátrica, inocular líquido sinovial em frasco de hemocultura e associar PCR para K. kingae, que aumenta muito a sensibilidade.
Epidemiologia e populações de risco
- Compõem a microbiota da orofaringe; a porta de entrada habitual é odontológica ou de mucosa oral.
- Responsáveis por uma pequena fração das endocardites, mas por parcela expressiva das endocardites com hemocultura inicialmente negativa.
- Risco aumentado em valvopatia prévia, prótese valvar, cardiopatia congênita e má higiene bucal.
Resistência e implicações terapêuticas
- Parte das cepas produz beta-lactamase: ampicilina isolada não é opção empírica confiável.
- Ceftriaxona é o esquema de escolha nas diretrizes de endocardite HACEK, com ampicilina-sulbactam ou fluoroquinolona como alternativas.
- Todos os HACEK são intrinsecamente resistentes a glicopeptídeos, clindamicina e polimixinas — não reportar essas classes como opção.
Notas de bancada e laudo
- Fastidiosos: exigem ágar chocolate e atmosfera com 5% de CO2; crescimento lento, com colônias pequenas em 48–72 h.
- Eikenella produz erosão (pitting) do ágar e odor de água sanitária; Aggregatibacter forma colônias aderentes com aspecto estrelado.
- Testar sensibilidade apenas por CIM em meio adequado para fastidiosos e informar no laudo o método utilizado.
Fontes
- EUCAST — Clinical breakpoints (v16.1)
- EUCAST — Expert rules and expected resistant phenotypes
- IDSA — Practice guidelines
Conteúdo educacional de apoio à decisão. Não substitui a validação laboratorial, as diretrizes vigentes nem a leitura do responsável técnico.
FAQ: Perguntas Frequentes
Como identificar Grupo HACEK (Haemophilus/Aggregatibacter, Kingella, Eikenella) no laboratório?
A identificação de Grupo HACEK (Haemophilus/Aggregatibacter, Kingella, Eikenella) envolve crescimento lento e dependente de co2; oxidase variável, eikenella corrode o ágar e tem odor de água sanitária.
Quais as resistências intrínsecas de Grupo HACEK (Haemophilus/Aggregatibacter, Kingella, Eikenella)?
Grupo HACEK (Haemophilus/Aggregatibacter, Kingella, Eikenella) é naturalmente resistente a eikenella é resistente a clindamicina e aminoglicosídeos. Esses antimicrobianos não devem ser reportados como sensíveis.
Onde Grupo HACEK (Haemophilus/Aggregatibacter, Kingella, Eikenella) é comumente encontrado?
É comumente associado a endocardite subaguda de valva nativa, abscesso oral, infecção de mordedura humana.
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