Fusarium spp.
Hifas hialinas septadas, ramificação em ângulos variados
Identificação e Crescimento
Identificação
- Macroconídios em forma de canoa/banana e microconídios em falsas cabeças
- Colônias algodonosas com pigmento róseo, violáceo ou lilás no reverso
Como cresce
- Sabouraud sem cicloheximida, 25–30 °C, 3–5 dias; cresce também a 37 °C
Importância Clínica
- Ceratite em usuário de lente de contato e onicomicose no imunocompetente
- Fusariose disseminada com lesões cutâneas e hemocultura positiva em neutropênico grave
Resistência Intrínseca
- Resistência intrínseca elevada a azólicos e às equinocandinas
Alertas de Bancada
- É um dos poucos fungos filamentosos que positivam hemocultura — não descartar como contaminante
- Sensibilidade por microdiluição (CLSI M38/EUCAST E.Def 9); não há disco padronizado
Notas Clínicas
Apresentações clínicas
- Ceratite fúngica e onicomicose em hospedeiros imunocompetentes, frequentemente associadas a trauma ocular ou uso de lentes de contato.
- Fusariose invasiva disseminada, incluindo sinusite, pneumonia e lesões cutâneas metastáticas, em neutropênicos graves e prolongados e receptores de transplante de células-tronco hematopoiéticas.
- Fungemia documentável por hemocultura, particularidade que diferencia Fusarium de outros mofos filamentosos invasivos, como Aspergillus.
Amostras e coleta
- Raspado corneano para exame direto e cultura em casos de ceratite, com processamento urgente dada a agressividade da infecção ocular.
- Hemocultura de rotina, que apresenta boa sensibilidade para fungemia por Fusarium, ao contrário da maioria dos outros mofos.
- Biópsia de pele e tecidos profundos com histopatologia e cultura em doença disseminada, correlacionando com galactomanana e beta-D-glucana séricas quando disponíveis.
Epidemiologia e populações de risco
- Fungo filamentoso ambiental ubíquo em solo e material vegetal, com espécies do complexo F. solani sendo as mais frequentemente associadas a doença invasiva.
- Neutropenia profunda e prolongada é o principal fator de risco para fusariose invasiva e disseminada.
- Surtos de ceratite associados a soluções de limpeza de lentes de contato contaminadas já foram descritos, reforçando a importância da anamnese de exposição.
Resistência e implicações terapêuticas
- Elevada resistência intrínseca a múltiplos antifúngicos, incluindo CIMs elevadas para azólicos (à exceção de voriconazol/posaconazol em alguns isolados) e para equinocandinas.
- CLSI M38 e EUCAST AFST fornecem métodos de referência para determinação de CIM em fungos filamentosos, mas pontos de corte clínicos formais para Fusarium spp. são limitados; interpretação geralmente se apoia em valores de corte epidemiológico (ECV, CLSI M60).
- Anfotericina B lipídica e voriconazol são as opções de primeira linha recomendadas por guidelines, combinadas a redução da imunossupressão quando possível.
Notas de bancada e laudo
- Colônias de crescimento rápido, algodonosas, com pigmentação variável (branca, rosa, violeta), produzindo macroconídios multisseptados característicos em forma de canoa.
- Identificação de espécie por sequenciamento (região TEF-1α) é recomendada dado o impacto na susceptibilidade e no prognóstico entre complexos de espécies.
- Comunicar ao clínico de imediato o isolamento em hemocultura ou material profundo em paciente neutropênico, dada a agressividade e a necessidade de terapia precoce.
Fontes
- CLSI M38 — Broth Dilution Antifungal Susceptibility Testing of Filamentous Fungi
- EUCAST — Antifungal susceptibility testing (AFST)
- CLSI M60 — Epidemiological Cutoff Values for Antifungal Susceptibility Testing
- IDSA — Practice guidelines
Conteúdo educacional de apoio à decisão. Não substitui a validação laboratorial, as diretrizes vigentes nem a leitura do responsável técnico.
FAQ: Perguntas Frequentes
Como identificar Fusarium spp. no laboratório?
A identificação de Fusarium spp. envolve macroconídios em forma de canoa/banana e microconídios em falsas cabeças, colônias algodonosas com pigmento róseo, violáceo ou lilás no reverso.
Quais as resistências intrínsecas de Fusarium spp.?
Fusarium spp. é naturalmente resistente a resistência intrínseca elevada a azólicos e às equinocandinas. Esses antimicrobianos não devem ser reportados como sensíveis.
Onde Fusarium spp. é comumente encontrado?
É comumente associado a ceratite em usuário de lente de contato e onicomicose no imunocompetente, fusariose disseminada com lesões cutâneas e hemocultura positiva em neutropênico grave.
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