Enterococcus faecalis
Cocos Gram-positivos aos pares e cadeias curtas
Identificação e Crescimento
Identificação
- Catalase negativa, PYR positiva, bile-esculina positiva, cresce em NaCl 6,5%
- Arabinose negativa (diferencia de E. faecium)
Como cresce
- Ágar sangue: colônias cinza, gama ou alfa-hemólise
- Bile-esculina: enegrecimento do meio; 35 °C, 24–48 h
Importância Clínica
- Infecção urinária, intra-abdominal, endocardite, bacteremia hospitalar
Resistência Intrínseca
- Cefalosporinas (todas as gerações)
- Aminoglicosídeos em baixo nível — só a sinergia com alta carga tem valor
- Sulfametoxazol-trimetoprima (falso S in vitro), clindamicina, aztreonam, polimixinas
Alertas de Bancada
- Nunca reportar cefalosporina ou SXT como sensível
- Em endocardite, testar alta carga de gentamicina/estreptomicina para sinergia
Notas Clínicas
Apresentações clínicas
- Causa infecções urinárias, especialmente associadas a cateter vesical de demora e manipulação do trato urinário.
- É causa comum de endocardite infecciosa em idosos, frequentemente após procedimentos gastrointestinais ou geniturinários.
- Participa de infecções intra-abdominais polimicrobianas e bacteremia associada a dispositivos.
Amostras e coleta
- Urocultura de jato médio ou de cateter reto (nunca da bolsa coletora) é necessária para diagnóstico confiável de ITU.
- Hemoculturas seriadas são indicadas em suspeita de endocardite, dado o curso subagudo característico.
- Swabs retais são usados na triagem ativa de colonização por Enterococcus resistente à vancomicina (VRE) em ambiente hospitalar.
Epidemiologia e populações de risco
- Faz parte da microbiota intestinal normal, sendo liberado por translocação em contexto de doença gastrointestinal ou cirurgia.
- Pacientes hospitalizados com uso prolongado de cefalosporinas têm risco aumentado de seleção de Enterococcus resistente.
- É a espécie de Enterococcus mais frequentemente isolada em infecções clínicas, superando E. faecium em prevalência global.
Resistência e implicações terapêuticas
- Apresenta resistência intrínseca a cefalosporinas, o que deve ser refletido no laudo independentemente do resultado in vitro.
- A maioria dos isolados permanece sensível à ampicilina, ao contrário de E. faecium, que é predominantemente resistente.
- Em endocardite, exige-se teste de alto nível de resistência a aminoglicosídeos para prever sinergismo terapêutico com beta-lactâmico.
- Resistência à vancomicina (VRE) é menos comum nesta espécie que em E. faecium, mas deve ser sempre testada e notificada.
Notas de bancada e laudo
- Cocos Gram-positivos em cadeias curtas, catalase-negativos, com crescimento em bile-esculina e em NaCl 6,5% sustentam a identificação de gênero.
- O laudo deve reportar resistência intrínseca a cefalosporinas e clindamicina como padrão, sem necessidade de teste individual.
- Isolados de sangue e de sítios estéreis destinados a possível endocardite devem incluir triagem de alto nível de resistência a aminoglicosídeos.
Fontes
Conteúdo educacional de apoio à decisão. Não substitui a validação laboratorial, as diretrizes vigentes nem a leitura do responsável técnico.
FAQ: Perguntas Frequentes
Como identificar Enterococcus faecalis no laboratório?
A identificação de Enterococcus faecalis envolve catalase negativa, pyr positiva, bile-esculina positiva, cresce em nacl 6,5%, arabinose negativa (diferencia de e. faecium).
Quais as resistências intrínsecas de Enterococcus faecalis?
Enterococcus faecalis é naturalmente resistente a cefalosporinas (todas as gerações), aminoglicosídeos em baixo nível — só a sinergia com alta carga tem valor, sulfametoxazol-trimetoprima (falso s in vitro), clindamicina, aztreonam, polimixinas. Esses antimicrobianos não devem ser reportados como sensíveis.
Onde Enterococcus faecalis é comumente encontrado?
É comumente associado a infecção urinária, intra-abdominal, endocardite, bacteremia hospitalar.
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