Cryptococcus neoformans
Leveduras capsuladas
Identificação e Crescimento
Identificação
- Tinta da China: halo capsular no líquor
- Urease positiva, fenoloxidase positiva (ágar Niger/semente de girassol: colônia marrom)
- Antígeno criptocócico (látex/LFA) no líquor e soro
Como cresce
- Sabouraud sem cicloheximida, 30–35 °C, 48–72 h; colônias mucoides cremosas
Importância Clínica
- Meningite em pessoas vivendo com HIV e imunossuprimidos; criptococoma pulmonar
Resistência Intrínseca
- Equinocandinas não têm atividade — nunca usar caspofungina
Alertas de Bancada
- Nunca reportar equinocandina como opção
- Tratamento é anfotericina B + flucitosina, seguido de fluconazol
- Pressão de abertura do líquor faz parte do manejo
Notas Clínicas
Apresentações clínicas
- Causa meningoencefalite subaguda a crônica, particularmente em pacientes com infecção avançada por HIV e outros estados de imunossupressão celular.
- Doença pulmonar por criptococose varia de nódulos assintomáticos a pneumonia grave, podendo preceder disseminação para o sistema nervoso central.
- Pode causar lesões cutâneas e infecção disseminada em pacientes imunocomprometidos, incluindo receptores de transplante de órgão sólido.
Amostras e coleta
- Líquido cefalorraquidiano deve ser coletado com medição da pressão de abertura, essencial para manejo da hipertensão intracraniana.
- Teste do antígeno criptocócico (CrAg) em soro ou LCR é altamente sensível e específico, recomendado para triagem e diagnóstico rápido.
- Cultura fúngica de LCR e sangue deve ser realizada para confirmação diagnóstica e acompanhamento de resposta terapêutica.
Epidemiologia e populações de risco
- É causa principal de meningite fúngica em pacientes com HIV/AIDS avançado, especialmente com contagem de CD4 abaixo de 100 células/µL.
- Exposição ambiental ocorre por inalação de esporos presentes em solo contaminado por excretas de aves, especialmente pombos.
- Carga global de doença é significativa em regiões com alta prevalência de HIV e acesso limitado à terapia antirretroviral.
Resistência e implicações terapêuticas
- Anfotericina B lipossomal combinada com flucitosina é a terapia de indução recomendada para meningite criptocócica.
- Fluconazol em dose adequada é utilizado nas fases de consolidação e manutenção após indução bem-sucedida.
- Resistência primária a antifúngicos é rara, mas testes de sensibilidade podem ser considerados em falha terapêutica ou recidiva.
Notas de bancada e laudo
- Coloração com tinta da China do LCR revela leveduras encapsuladas, embora com sensibilidade inferior ao teste de antígeno.
- Crescimento em ágar Sabouraud com colônias mucoides características confirma a identificação após 48-72 horas de incubação.
- Medição seriada da pressão de abertura liquórica é fundamental para orientar punções de alívio no manejo clínico.
Fontes
- WHO — Guidelines for diagnosing, preventing and managing cryptococcal disease
- CDC — Cryptococcosis
- IDSA — Clinical practice guideline for cryptococcal disease
Conteúdo educacional de apoio à decisão. Não substitui a validação laboratorial, as diretrizes vigentes nem a leitura do responsável técnico.
FAQ: Perguntas Frequentes
Como identificar Cryptococcus neoformans no laboratório?
A identificação de Cryptococcus neoformans envolve tinta da china: halo capsular no líquor, urease positiva, fenoloxidase positiva (ágar niger/semente de girassol: colônia marrom), antígeno criptocócico (látex/lfa) no líquor e soro.
Quais as resistências intrínsecas de Cryptococcus neoformans?
Cryptococcus neoformans é naturalmente resistente a equinocandinas não têm atividade — nunca usar caspofungina. Esses antimicrobianos não devem ser reportados como sensíveis.
Onde Cryptococcus neoformans é comumente encontrado?
É comumente associado a meningite em pessoas vivendo com hiv e imunossuprimidos; criptococoma pulmonar.
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