Candida não-albicans (glabrata, krusei, parapsilosis, tropicalis, auris)
Leveduras Gram-positivas
Identificação e Crescimento
Identificação
- Tubo germinativo negativo; identificar por CHROMagar, auxanograma ou MALDI-TOF
- C. glabrata: levedura pequena, sem pseudo-hifa
Como cresce
- Sabouraud, 30–35 °C, 24–72 h; C. auris cresce bem a 42 °C
Importância Clínica
- Candidemia hospitalar, infecção de cateter, ITU fúngica; C. parapsilosis ligada a cateter e nutrição parenteral
Resistência Intrínseca
- C. krusei: resistente a fluconazol por natureza
- C. glabrata: sensibilidade dose-dependente a azólicos
- C. parapsilosis: CIM elevada para equinocandinas
- C. auris: multirresistência frequente
Alertas de Bancada
- Sempre identificar até espécie — a escolha terapêutica depende disso
- C. auris exige precaução de contato e notificação à CCIH
Notas Clínicas
Apresentações clínicas
- Causa candidemia e candidíase invasiva com apresentação clínica semelhante à causada por C. albicans, indistinguível sem cultura.
- Candida parapsilosis está fortemente associada a infecções de cateter e candidemia neonatal em unidades de terapia intensiva neonatal.
- Candida auris causa surtos hospitalares graves com colonização persistente de pele e superfícies, e alta taxa de disseminação intra-hospitalar.
- Candida glabrata e krusei são mais comuns em pacientes idosos, oncológicos ou com exposição prévia a azólicos.
Amostras e coleta
- Hemoculturas de sítios periféricos e de cateter são essenciais para diagnóstico e avaliação de origem da candidemia.
- Swab axilar ou inguinal é utilizado para rastreamento de colonização por C. auris em pacientes de risco ou contatos de casos confirmados.
- Identificação laboratorial em nível de espécie é obrigatória, dado o impacto direto na escolha terapêutica e no controle de infecção.
Epidemiologia e populações de risco
- Candida auris é considerada ameaça crítica global pelo CDC e OMS por resistência multidrogas e capacidade de transmissão nosocomial.
- Exposição prévia a antifúngicos azólicos e equinocandinas seleciona espécies não-albicans intrinsecamente menos sensíveis.
- Recém-nascidos prematuros de baixo peso apresentam risco particular de candidemia por C. parapsilosis relacionada a cateter.
Resistência e implicações terapêuticas
- Candida krusei é intrinsecamente resistente a fluconazol, exigindo uso de equinocandina ou outro antifúngico desde o início.
- Candida glabrata apresenta sensibilidade reduzida e dose-dependente a azólicos, além de resistência emergente a equinocandinas em alguns isolados.
- Candida auris frequentemente apresenta resistência a múltiplas classes de antifúngicos, incluindo resistência pan-fármaco em subconjuntos de isolados.
- Candida parapsilosis apresenta sensibilidade intrinsecamente reduzida a equinocandinas, favorecendo uso de azólicos quando sensível.
Notas de bancada e laudo
- Identificação por MALDI-TOF pode ter limitações para C. auris dependendo da base de dados do equipamento, podendo requerer sequenciamento confirmatório.
- Testes de sensibilidade antifúngica devem ser realizados rotineiramente em todo isolado de espécie não-albicans em sangue.
- Identificação de C. auris deve acionar imediatamente medidas de precaução de contato e notificação às autoridades de saúde pública.
Fontes
- CDC — Candida auris
- IDSA — Clinical practice guideline for candidiasis
- EUCAST — Antifungal clinical breakpoints
- WHO — Fungal priority pathogens list
Conteúdo educacional de apoio à decisão. Não substitui a validação laboratorial, as diretrizes vigentes nem a leitura do responsável técnico.
FAQ: Perguntas Frequentes
Como identificar Candida não-albicans (glabrata, krusei, parapsilosis, tropicalis, auris) no laboratório?
A identificação de Candida não-albicans (glabrata, krusei, parapsilosis, tropicalis, auris) envolve tubo germinativo negativo; identificar por chromagar, auxanograma ou maldi-tof, c. glabrata: levedura pequena, sem pseudo-hifa.
Quais as resistências intrínsecas de Candida não-albicans (glabrata, krusei, parapsilosis, tropicalis, auris)?
Candida não-albicans (glabrata, krusei, parapsilosis, tropicalis, auris) é naturalmente resistente a c. krusei: resistente a fluconazol por natureza, c. glabrata: sensibilidade dose-dependente a azólicos, c. parapsilosis: cim elevada para equinocandinas, c. auris: multirresistência frequente. Esses antimicrobianos não devem ser reportados como sensíveis.
Onde Candida não-albicans (glabrata, krusei, parapsilosis, tropicalis, auris) é comumente encontrado?
É comumente associado a candidemia hospitalar, infecção de cateter, itu fúngica; c. parapsilosis ligada a cateter e nutrição parenteral.
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