Bacteroides thetaiotaomicron
Bacilos Gram-negativos anaeróbios pleomórficos
Identificação e Crescimento
Identificação
- Grupo B. fragilis: cresce em bile a 20%, resistente a canamicina, vancomicina e colistina
- Identificação de espécie por MALDI-TOF
Como cresce
- Ágar sangue anaeróbio com hemina e vitamina K, 35–37 °C, 48 h
Importância Clínica
- Infecção intra-abdominal polimicrobiana, abscesso pélvico e bacteremia
Resistência Intrínseca
- Resistência intrínseca a aminoglicosídeos, aztreonam, quinolonas e polimixinas
- Cefamicinase de espectro amplo: sensibilidade menor que B. fragilis a piperacilina-tazobactam e clindamicina
Alertas de Bancada
- Espécie do grupo com maior resistência — sempre testar quando isolada de sítio estéril
Notas Clínicas
Apresentações clínicas
- Infecções intra-abdominais polimicrobianas (abscesso, peritonite secundária) após perfuração intestinal, cirurgia ou trauma abdominal.
- Bacteremia de origem intra-abdominal ou pélvica, frequentemente em contexto de neoplasia colorretal ou doença diverticular complicada.
- Infecções ginecológicas e de partes moles polimicrobianas, incluindo abscesso tubo-ovariano e infecção de sítio cirúrgico pélvico.
Amostras e coleta
- Material de abscesso ou líquido peritoneal coletado por aspiração, evitando contaminação por flora de pele/mucosa, com transporte em meio anaeróbio adequado.
- Hemocultura com frasco anaeróbio dedicado quando há suspeita de origem intra-abdominal ou pélvica.
- Evitar swabs superficiais de ferida; priorizar tecido profundo ou aspirado, pois amostras superficiais têm baixo rendimento para anaeróbios.
Epidemiologia e populações de risco
- Membro predominante da microbiota anaeróbia do cólon; principal anaeróbio Gram-negativo isolado em infecções intra-abdominais.
- Doença invasiva surge por translocação após ruptura de barreira intestinal (cirurgia, perfuração, neoplasia, diverticulite).
- Grupo Bacteroides fragilis (incluindo B. thetaiotaomicron) é o principal gênero anaeróbio associado a infecções cirúrgicas abdominais e bacteremia anaeróbia.
Resistência e implicações terapêuticas
- Resistência à penicilina é praticamente universal por produção de betalactamase; exige combinação com inibidor de betalactamase ou uso de carbapenêmico/metronidazol.
- Metronidazol e carbapenêmicos mantêm atividade elevada e são pilares do tratamento; resistência a clindamicina é crescente e relevante para escolha empírica.
- EUCAST publica pontos de corte para o grupo Bacteroides fragilis; testes de susceptibilidade são recomendados em infecções graves ou refratárias dado o padrão de resistência variável.
Notas de bancada e laudo
- Bacilo Gram-negativo anaeróbio estrito, não esporulado, de crescimento em meios anaeróbios seletivos (ágar bile-esculina), resistente à bile.
- Frequentemente isolado em infecção polimicrobiana; reportar em conjunto com aeróbios/facultativos concomitantes para orientar terapia combinada.
- Testes de susceptibilidade a anaeróbios não fazem parte da rotina de todos os laboratórios; considerar envio a laboratório de referência em casos graves ou refratários.
Fontes
- EUCAST — Clinical breakpoints (v16.1)
- EUCAST — Expert rules and expected resistant phenotypes
- UKHSA — Standards for Microbiology Investigations (SMI)
- IDSA — Practice guidelines
Conteúdo educacional de apoio à decisão. Não substitui a validação laboratorial, as diretrizes vigentes nem a leitura do responsável técnico.
FAQ: Perguntas Frequentes
Como identificar Bacteroides thetaiotaomicron no laboratório?
A identificação de Bacteroides thetaiotaomicron envolve grupo b. fragilis: cresce em bile a 20%, resistente a canamicina, vancomicina e colistina, identificação de espécie por maldi-tof.
Quais as resistências intrínsecas de Bacteroides thetaiotaomicron?
Bacteroides thetaiotaomicron é naturalmente resistente a resistência intrínseca a aminoglicosídeos, aztreonam, quinolonas e polimixinas, cefamicinase de espectro amplo: sensibilidade menor que b. fragilis a piperacilina-tazobactam e clindamicina. Esses antimicrobianos não devem ser reportados como sensíveis.
Onde Bacteroides thetaiotaomicron é comumente encontrado?
É comumente associado a infecção intra-abdominal polimicrobiana, abscesso pélvico e bacteremia.
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