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Anaeróbios

Bacteroides fragilis

Bacilos Gram-negativos pleomórficos

Identificação e Crescimento

Identificação

  • Anaeróbio estrito, cresce em bile 20%, resistente a canamicina, vancomicina e colistina
  • Catalase positiva (incomum entre anaeróbios)

Como cresce

  • Ágar Bacteroides Bile Esculina (BBE): colônias escuras com halo
  • Jarra ou câmara de anaerobiose, 35 °C, 48–72 h

Importância Clínica

  • Abscesso intra-abdominal, peritonite, infecção de partes moles polimicrobiana

Resistência Intrínseca

  • Aminoglicosídeos, aztreonam, quinolonas antigas, colistina, vancomicina

Alertas de Bancada

  • Produz beta-lactamase: penicilina e ampicilina isoladas falham
  • Metronidazol, piperacilina-tazobactam e carbapenêmicos são as opções previsíveis
  • Amostra deve ir em meio de transporte anaeróbio, sem exposição ao ar

Notas Clínicas

Apresentações clínicas

  • É o anaeróbio gram-negativo mais frequentemente isolado em infecções intra-abdominais, incluindo abscessos e peritonite pós-perfuração.
  • Causa infecções ginecológicas polimicrobianas, incluindo abscesso tubo-ovariano e infecção pós-cirúrgica pélvica.
  • Bacteremia por B. fragilis está frequentemente associada a foco intra-abdominal ou pélvico primário.

Amostras e coleta

  • Amostras devem ser coletadas por aspiração ou biópsia em recipiente anaeróbio, evitando exposição prolongada ao ar.
  • Swabs superficiais são inadequados para cultura anaeróbia por risco de contaminação por flora aeróbia de superfície.
  • Hemoculturas em frascos anaeróbios devem ser coletadas quando há suspeita de bacteremia de origem intra-abdominal.

Epidemiologia e populações de risco

  • Faz parte da microbiota normal do trato gastrointestinal, tornando-se patogênico após ruptura da barreira intestinal.
  • Pacientes submetidos a cirurgia abdominal, trauma penetrante ou perfuração intestinal apresentam risco aumentado de infecção invasiva.

Resistência e implicações terapêuticas

  • É a espécie anaeróbia com maior taxa de resistência a betalactâmicos entre os anaeróbios clinicamente relevantes, mediada principalmente por produção de betalactamase.
  • Metronidazol, carbapenêmicos e combinações de betalactâmico com inibidor de betalactamase mantêm boa atividade na maioria dos isolados.
  • Testes de sensibilidade não são realizados rotineiramente, mas são recomendados em falha terapêutica ou infecções graves recorrentes.

Notas de bancada e laudo

  • Cultura anaeróbia requer câmara ou jarra com atmosfera anaeróbia e incubação prolongada, frequentemente 48-72 horas.
  • Identificação por espectrometria de massa (MALDI-TOF) acelera significativamente o tempo de resultado comparado a métodos bioquímicos tradicionais.
  • Culturas polimicrobianas de origem intra-abdominal frequentemente incluem B. fragilis junto a Enterobacterales e enterococos.

Fontes

Conteúdo educacional de apoio à decisão. Não substitui a validação laboratorial, as diretrizes vigentes nem a leitura do responsável técnico.

FAQ: Perguntas Frequentes

Como identificar Bacteroides fragilis no laboratório?

A identificação de Bacteroides fragilis envolve anaeróbio estrito, cresce em bile 20%, resistente a canamicina, vancomicina e colistina, catalase positiva (incomum entre anaeróbios).

Quais as resistências intrínsecas de Bacteroides fragilis?

Bacteroides fragilis é naturalmente resistente a aminoglicosídeos, aztreonam, quinolonas antigas, colistina, vancomicina. Esses antimicrobianos não devem ser reportados como sensíveis.

Onde Bacteroides fragilis é comumente encontrado?

É comumente associado a abscesso intra-abdominal, peritonite, infecção de partes moles polimicrobiana.

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