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Anaeróbios

Actinomyces israelii

Bacilos Gram-positivos filamentosos e ramificados

Identificação e Crescimento

Identificação

  • Anaeróbio ou microaerófilo, não álcool-ácido resistente (separa de Nocardia)
  • Colônias em 'dente molar' após 7–14 dias

Como cresce

  • Ágar sangue anaeróbio, 35–37 °C, incubação prolongada de 7 a 14 dias

Importância Clínica

  • Actinomicose cervicofacial, torácica e pélvica (associada a DIU), com grânulos sulfúreos e fístulas

Resistência Intrínseca

  • Metronidazol, aminoglicosídeos e aztreonam sem atividade

Alertas de Bancada

  • Cultura negativa é comum: avisar o laboratório para prolongar a incubação
  • Penicilina em curso prolongado é a terapia padrão

Notas Clínicas

Apresentações clínicas

  • Actinomicose cervicofacial: massa indolente, de crescimento lento, frequentemente após trauma dentário ou procedimento odontológico, com trajetos fistulosos e drenagem de grânulos de enxofre.
  • Actinomicose pélvica associada a dispositivo intrauterino (DIU) de longa permanência, podendo simular neoplasia ginecológica.
  • Formas torácica e abdominal, geralmente por aspiração ou disseminação contígua, com formação de massas que invadem tecidos adjacentes independentemente de planos anatômicos.

Amostras e coleta

  • Material purulento ou tecido de biópsia, coletado sem contaminação por flora de mucosa quando possível, para pesquisa de grânulos de enxofre e cultura anaeróbia.
  • Cultura prolongada (até 2–3 semanas) em condições anaeróbias estritas, pois é organismo de crescimento lento e fastidioso.
  • Histopatologia com identificação de grânulos de enxofre (agregados basofílicos com bordas eosinofílicas) fortalece o diagnóstico quando a cultura é negativa.

Epidemiologia e populações de risco

  • Membro da microbiota oral, gastrointestinal e genital normal; doença surge por ruptura de barreira mucosa (trauma dental, cirurgia, DIU).
  • Baixa virulência intrínseca; requer inóculo com bactérias acompanhantes (infecção polimicrobiana) para estabelecer doença.
  • Higiene oral precária e má dentição são fatores predisponentes importantes na forma cervicofacial.

Resistência e implicações terapêuticas

  • Universalmente sensível à penicilina G, que permanece o tratamento de escolha, com curso prolongado (semanas a meses) devido à natureza granulomatosa e fibrosante da doença.
  • Doxiciclina, clindamicina ou ceftriaxona são alternativas em alérgicos à penicilina.
  • Infecção geralmente polimicrobiana; cobertura empírica deve considerar bactérias acompanhantes (p. ex. Actinobacillus actinomycetemcomitans na forma cervicofacial).

Notas de bancada e laudo

  • Bacilo Gram-positivo anaeróbio ou microaerófilo, ramificado, filamentoso, podendo ser confundido com fungo à microscopia.
  • Diagnóstico frequentemente tardio por baixo índice de suspeição clínica; considerar em massas de crescimento lento resistentes a antibioticoterapia de curta duração.
  • Comunicar ao clínico a necessidade de cultura anaeróbia prolongada, pois o resultado padrão de 48 h pode ser falsamente negativo.

Fontes

Conteúdo educacional de apoio à decisão. Não substitui a validação laboratorial, as diretrizes vigentes nem a leitura do responsável técnico.

FAQ: Perguntas Frequentes

Como identificar Actinomyces israelii no laboratório?

A identificação de Actinomyces israelii envolve anaeróbio ou microaerófilo, não álcool-ácido resistente (separa de nocardia), colônias em 'dente molar' após 7–14 dias.

Quais as resistências intrínsecas de Actinomyces israelii?

Actinomyces israelii é naturalmente resistente a metronidazol, aminoglicosídeos e aztreonam sem atividade. Esses antimicrobianos não devem ser reportados como sensíveis.

Onde Actinomyces israelii é comumente encontrado?

É comumente associado a actinomicose cervicofacial, torácica e pélvica (associada a diu), com grânulos sulfúreos e fístulas.

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